quarta-feira, 17 de agosto de 2011

quadras do Aleixo


Vós que lá do vosso Império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
querer um Mundo novo a sério.





António Aleixo
Retrato de Tóssan - 1943

terça-feira, 16 de agosto de 2011

pois é...

"Do rio que tudo arrasta se
diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as
margens que o comprimem"


Bertold Brecht

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

lenga-lenga

 

O doce perguntou ao doce
quanto doce o doce tem.
O doce respondeu ao doce
que o doce tem tanto doce
quanto o doce, doce tem
.  

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O Galo de Barcelos e o Milagre do Enforcado

Esta lenda está associada a um antigo padrão de pedra em Barcelos, de origem desconhecida, que tem em si gravados, em baixo relevo, a Virgem, S. Paulo, o Sol, a Lua e um Dragão de um lado e do outro um Cristo Crucificado, um Galo e Santiago sustentando um enforcado.

Na origem da lenda está um crime perpetrado em Barcelinhos que ficou impune, apesar das sérias investigações das autoridades de então. Este crime ficou esquecido até que um dia um peregrino galego que se dirigia a Santiago parou para passar a noite no albergue local. Ao jantar, enquanto ceava, reparou que alguém o observava fixamente mas não fez caso e continuou a sua refeição. O observador saiu do albergue, dirigiu-se a casa do juiz, e acusou o peregrino da autoria do crime. Preso, o crente galego não conseguia apresentar provas da sua inocência, tendo sido levado para as masmorras, julgado e condenado à forca. No dia do enforcamento, o peregrino pediu, como sua última vontade, que o levassem à presença do juiz que tão injustamente o tinha julgado. Perante o juiz, que estava em sua casa preparando-se para trinchar um magnífico galo assado, o condenado ajoelhou-se. Seguidamente, afirmou a sua inocência e suplicou que não o enforcassem, pois era a primeira vez que estava em Barcelinhos e nunca tinha visto a vítima do crime. O juiz não se comoveu. Então, o galego invocou a ajuda de Santiago e perante todos afirmou: É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar antes do dia acabar. Risos e comentários não se fizeram esperar, mas pelo sim e pelo não, ninguém tocou no galo.
À noite, observaram com espanto que o galo se cobria de penas novas, se levantava e batia asas para cantar com energia. Correram todos para o lugar da forca e encheram-se de espanto ao ver o peregrino vivo, com uma corda lassa à volta do pescoço, apesar de estar pendurado. Atemorizados por este facto insólito, libertaram o peregrino galego, deixando-o seguir o seu caminho. Diz-se que em agradecimento pela ajuda de Santiago, o peregrino, passados anos, voltou a Barcelos e fez erguer o monumento em louvor à Virgem e a Santiago.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

sabedoria popular - 5

"Casa onde não há pão,
todos ralham e ninguém tem razão"

terça-feira, 9 de agosto de 2011

admirável mundo novo

video

Cidade dos Outros

"Uma terrível atroz imensa
Desonestidade
Cobre a cidade

Há um murmúrio de combinações
Uma telegrafia
Sem gestos sem sinais sem fios

O mal procura o mal e ambos se entendem
Compram e vendem

E com um sabor a coisa morta
A cidade dos outros
Bate à nossa porta"

Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

hoje não...

Segunda-feira. Dia de pôr aqui uma historieta…. Mas hoje não.
O que eu queria mesmo era estar de férias; não umas férias quaisquer, mas daquelas em que a gente não faz mesmo nada, daquelas em que só temos que ter o trabalho de comer, dormir, passear, apanhar sol e mar… era dessa canseira que eu precisava.
Hoje não quero saber da Júlia, nem da Tânia, nem do Dr. Queirós … que estejam bem, é o que eu desejo. Quem sabe se não estarão de férias, eles também…. toda a gente está, menos eu!
E, por isso, hoje não vai haver historieta nenhuma… hoje fico a roer as unhas de inveja de quem pode andar por aí…

sábado, 6 de agosto de 2011

bom fim de semana

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

lenga-lenga

                               Era uma vez uma velha
                              Maricutelha ferrunfunfelha
                               Ferrou-lhe uma mosca
                             Maricutosca ferrunfunfosca
                               E foi-se queixar ao juiz
                                  Maricutiz ferrunfunfiz

E o juiz maricutiz ferrunfunfiz
Disse à velha
Maricutelha ferrunfunfelha
Quando visse uma mosca
Maricutosca ferrunfunfosca
Lhe desse com a moca
Maricutoca ferrunfunfoca


E a velha
Maricutelha ferrunfunfelha
Ao ver uma mosca
Maricutosca ferrunfunfosca
Na careca
Maricuteca ferrunfunfeca
                                            Do juiz
                                 Maricutiz ferrunfunfiz
                                 Deu-lhe com a moca
                               Maricutoca ferrunfunfoca 

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O milagre das rosas

A Rainha Isabel de Aragão, esposa de Dom Dinis, era uma rainha que se preocupava com os pobres e necessitado. Era lendária a sua bondade, espalhando a caridade pelo reino.
Conta a história que um nobre despeitado informou o Rei Dom Dinis que a Rainha gastava demais nas obras das igrejas, doações a conventos, esmolas e outras acções de caridade, e convenceu-o a pôr fim a estes excessos.
O Rei decidiu surpreender a Rainha numa manhã em que esta se dirigia com o seu séquito às obras de Santa Clara e à distribuição habitual de esmolas, e reparou que ela procurava disfarçar o que levava no regaço.
Interrogada por Dom Dinis, a Rainha informou que ia ornamentar os altares do mosteiro. O Rei insistiu que tinha sido informado que a Rainha tinha desobedecido às suas proibições, levando dinheiro aos pobres.
De repente, e mais confiante, Dona Isabel respondeu: "Enganais-vos, Real Senhor. O que levo no meu regaço são rosas..."
O Rei, irritado, acusou-a de estar a mentir: “Rosas em Janeiro, Senhora?!...” E obrigou-a, a revelar o conteúdo do regaço.
A Rainha Dona Isabel mostrou, então, perante os olhos espantados de todos, o belíssimo ramo de rosas que guardava sob o manto, repetindo: “São rosas, Senhor!....”
O Rei ficou sem palavras, convencido que estava perante um fenómeno sobrenatural, e acabou por pedir perdão à Rainha que prosseguiu na sua intenção de ir levar as esmolas.
A notícia do milagre correu a cidade de Coimbra e o povo proclamou Santa a Rainha Isabel de Portugal.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

sabedoria popular - 4

"Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és"

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O Silêncio

"Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas "


Eugénio de Andrade 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

...

- Tânia, tira aí um café ao Dr. Queirós!
- Cheio, Tânia, se faz favor! - acrescentou o Dr. Queirós, enquanto se sentava na sua mesa habitual, desdobrando o jornal que trazia consigo.
Júlia conhecia o Dr. João Queirós desde os seus tempos de menina. Era ele então um jovem professor de Físico-Química, bonitão, achava ela nos seus doze anos. Muito conversador, criou grande amizade com o senhor Basílio, pai de Júlia, que, nesse tempo, cultivava no seu café o gosto pela conversa, pelas tertúlias. Havia sempre especialistas, ora em futebol, ora em política, ora em literatura… e depois uns atraíam os outros. Júlia dava-se bem nesse ambiente. Quando, ao sair da escola, passava por lá, aproveitava para fazer os trabalhos de casa e, muitas vezes, ficava pasmada a ouvir, a ouvir…. “Bons tempos!...” suspirou para consigo.
Foi ela própria levar o café à mesa do Dr. Queirós.
- A miúda hoje não está nos seus dias… – disse ele em voz baixa, de modo a que Tânia não percebesse.
- Também me parece. Mal falou desde que chegou. Deve ter havido mais alguma lá em casa!....